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Antigo Testamento

II Samuel

1:1 E SUCEDEU que, depois da morte de Saul, voltando Davi da derrota dos amalequitas, ficou dois dias em Ziclague;
1:2 Ao terceiro dia um homem veio do arraial de Saul, com as vestes rotas e com terra sobre a cabeça; e, chegando ele a Davi, se lançou no chão, e se inclinou.
1:3 E Davi lhe disse: Donde vens? E ele lhe disse: Escapei do arraial de Israel.
1:4 E disse-lhe Davi: Como foi lá isso? peço-te, dize-mo. E ele lhe respondeu: O povo fugiu da batalha, e muitos do povo caíram, e morreram; assim como também Saul e Jônatas, seu filho, foram mortos.
1:5 E disse Davi ao moço que lhe trazia as novas: Como sabes tu que Saul e Jônatas, seu filho, foram mortos?
1:6 Então disse o moço que lhe dava a notícia: Cheguei por acaso à montanha de Gilboa, e eis que Saul estava encostado sobre a sua lança, e eis que os carros e a cavalaria apertavam-no.
1:7 E, olhando ele para trás de si, viu-me, e chamou-me; e eu disse: Eis-me aqui.
1:8 E ele me disse: Quem és tu? E eu lhe disse: Sou amalequita.
1:9 Então ele me disse: Peço-te, arremessa-te sobre mim, e mata-me, porque angústias me têm cercado, pois toda a minha vida está ainda em mim.
1:10 Arremessei-me, pois, sobre ele, e o matei, porque bem sabia eu que não viveria depois da sua queda, e tomei a coroa que tinha na cabeça, e o bracelete que trazia no braço, e os trouxe aqui a meu senhor.
1:11 Então apanhou Davi as suas vestes, e as rasgou; assim fizeram todos os homens que estavam com ele.
1:12 E prantearam, e choraram, e jejuaram até à tarde por Saul, e por Jônatas, seu filho, e pelo povo do SENHOR, e pela casa de Israel, porque tinham caído à espada.
1:13 Disse então Davi ao moço que lhe trouxera a nova: Donde és tu? E disse ele: Sou filho de um estrangeiro, amalequita.
1:14 E Davi lhe disse: Como não temeste tu estender a mão para matares ao ungido do SENHOR?
1:15 Então chamou Davi a um dos moços, e disse: Chega, e lança-te sobre ele. E ele o feriu, e morreu.
1:16 Pois Davi lhe dissera: O teu sangue seja sobre a tua cabeça, porque a tua própria boca testificou contra ti, dizendo: Eu matei o ungido do SENHOR.
1:17 E lamentou Davi a Saul e a Jônatas, seu filho, com esta lamentação
1:18 (Dizendo ele que ensinassem aos filhos de Judá o uso do arco. Eis que está escrito no livro de Jasher):
1:19 Ah, ornamento de Israel! Nos teus altos foi ferido, como caíram os poderosos!
1:20 Não o noticieis em Gate, não o publiqueis nas ruas de Ascalom, para que não se alegrem as filhas dos filisteus, para que não saltem de contentamento as filhas dos incircuncisos.
1:21 Vós, montes de Gilboa, nem orvalho, nem chuva caia sobre vós, nem haja campos de ofertas alçadas, pois aí desprezivelmente foi arrojado o escudo dos poderosos, o escudo de Saul, como se não fora ungido com óleo.
1:22 Do sangue dos feridos, da gordura dos valentes, nunca se retirou para trás o arco de Jônatas, nem voltou vazia a espada de Saul.
1:23 Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte não se separaram; eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões.
1:24 Vós, filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia de escarlata em delícias, que vos fazia trazer ornamentos de ouro sobre as vossas vestes.
1:25 Como caíram os poderosos, no meio da peleja! Jônatas nos teus altos foi morto.
1:26 Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres.
1:27 Como caíram os poderosos, e pereceram as armas de guerra!
2:1 E SUCEDEU depois disto que Davi consultou ao SENHOR, dizendo: Subirei a alguma das cidades de Judá? E disse-lhe o SENHOR: Sobe. E falou Davi: Para onde subirei? E disse: Para Hebrom.
2:2 E subiu Davi para lá, e também as suas duas mulheres, Ainoã, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.
2:3 Fez também Davi subir os homens que estavam com ele, cada um com a sua família; e habitaram nas cidades de Hebrom.
2:4 Então vieram os homens de Judá, e ungiram ali a Davi rei sobre a casa de Judá. E deram avisos a Davi, dizendo: Os homens de Jabes-Gileade foram os que sepultaram a Saul.
2:5 Então enviou Davi mensageiros aos homens de Jabes-Gileade, para dizer-lhes: Benditos sejais vós do SENHOR, que fizestes tal beneficência a vosso senhor, a Saul, e o sepultastes!
2:6 Agora, pois, o SENHOR use convosco de beneficência e fidelidade; e também eu vos farei este bem, porquanto fizestes isto.
2:7 Esforcem-se, pois, agora as vossas mãos, e sede homens valentes, pois Saul, vosso senhor, é morto, mas também os da casa de Judá já me ungiram a mim por seu rei.
2:8 Porém Abner, filho de Ner, capitão do exército de Saul, tomou a Is-Bosete, filho de Saul, e o fez passar a Maanaim,
2:9 E o constituiu rei sobre Gileade, e sobre os assuritas, e sobre Jizreel, e sobre Efraim, e sobre Benjamim, e sobre todo o Israel.
2:10 Da idade de quarenta anos era Is-Bosete, filho de Saul, quando começou a reinar sobre Israel, e reinou dois anos; mas os da casa de Judá seguiam a Davi.
2:11 E foi o número dos dias que Davi reinou em Hebrom, sobre a casa de Judá, sete anos e seis meses.
2:12 Então saiu Abner, filho de Ner, com os servos de Is-Bosete, filho de Saul, de Maanaim a Gibeom.
2:13 Saíram também Joabe, filho de Zeruia, e os servos de Davi, e se encontraram uns com os outros perto do tanque de Gibeom; e pararam estes deste lado do tanque, e os outros do outro lado do tanque.
2:14 E disse Abner a Joabe: Deixa levantar os moços, e joguem diante de nós. E disse Joabe: Levantem-se.
2:15 Então se levantaram, e passaram, em número de doze de Benjamim, da parte de Is-Bosete, filho de Saul, e doze dos servos de Davi.
2:16 E cada um lançou mão da cabeça do outro, cravou-lhe a espada no lado, e caíram juntos, por isso se chamou àquele lugar Helcate-Hazurim, que está junto a Gibeom.
2:17 E seguiu-se naquele dia uma crua peleja; porém Abner e os homens de Israel foram feridos diante dos servos de Davi.
2:18 E estavam ali os três filhos de Zeruia, Joabe, Abisai, e Asael; e Asael era ligeiro de pés, como as gazelas do campo.
2:19 E Asael perseguiu a Abner; e não se desviou de detrás de Abner, nem para a direita nem para a esquerda.
2:20 E Abner, olhando para trás, perguntou: És tu Asael? E ele falou: Eu sou.
2:21 Então lhe disse Abner: Desvia-te para a direita, ou para a esquerda, e lança mão de um dos moços, e toma os seus despojos. Porém Asael não quis desviar-se de detrás dele.
2:22 Então Abner tornou a dizer a Asael: Desvia-te de detrás de mim; por que hei de eu ferir-te e dar contigo em terra? E como levantaria eu o meu rosto diante de Joabe, teu irmão?
2:23 Porém, não querendo ele se desviar, Abner o feriu com a ponta da lança pela quinta costela, e a lança lhe saiu por detrás, e caiu ali, e morreu naquele mesmo lugar; e sucedeu que, todos os que chegavam ao lugar onde Asael caiu e morreu, paravam.
2:24 Porém Joabe e Abisai perseguiram a Abner; e pôs-se o sol, chegando eles ao outeiro de Amá, que está diante de Gia, junto ao caminho do deserto de Gibeão.
2:25 E os filhos de Benjamim se ajuntaram atrás de Abner, e fizeram um batalhão, e puseram-se no cume de um outeiro.
2:26 Então Abner gritou a Joabe, e disse: Consumirá a espada para sempre? Não sabes tu que por fim haverá amargura? E até quando não hás de dizer ao povo que deixe de perseguir a seus irmãos?
2:27 E disse Joabe: Vive Deus, que, se não tivesses falado, só pela manhã o povo teria cessado, cada um, de perseguir a seu irmão.
2:28 Então Joabe tocou a buzina, e todo o povo parou, e não perseguiram mais a Israel; e tampouco pelejaram mais.
2:29 E caminharam Abner e os seus homens toda aquela noite pela planície; e, passando o Jordão, caminharam por todo o Bitrom, e chegaram a Maanaim.
2:30 Também Joabe voltou de perseguir a Abner, e ajuntou todo o povo; e dos servos de Davi faltaram dezenove homens, e Asael.
2:31 Porém os servos de Davi feriram dentre os de Benjamim, e dentre os homens de Abner, a trezentos e sessenta homens, que ali ficaram mortos.
2:32 E levantaram a Asael, e sepultaram-no na sepultura de seu pai, que estava em Belém; e Joabe e seus homens caminharam toda aquela noite, e amanheceu-lhes o dia em Hebrom.
3:1 E HOUVE uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; porém Davi ia se fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo.
3:2 E a Davi nasceram filhos em Hebrom; e foi o seu primogênito Amnom, de Ainoã a jizreelita;
3:3 E seu segundo, Quileabe, de Abigail, mulher de Nabal, o carmelita; e o terceiro Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur;
3:4 E o quarto, Adonias, filho de Hagite; e o quinto, Sefatias, filho de Abital;
3:5 E o sexto, Itreão, de Eglá, também mulher de Davi; estes nasceram a Davi em Hebrom.
3:6 E, havendo guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi, sucedeu que Abner se fez poderoso na casa de Saul.
3:7 E tinha tido Saul uma concubina, cujo nome era Rispa, filha de Aiá; e disse Is-Bosete a Abner: Por que possuíste a concubina de meu pai?
3:8 Então se irou muito Abner pelas palavras de Is-Bosete, e disse: Sou eu cabeça de cão, que pertença a Judá? Ainda hoje faço beneficência à casa de Saul, teu pai, a seus irmãos, e a seus amigos, e não te entreguei nas mãos de Davi, e tu hoje buscas motivo para me argüires por causa da maldade de uma mulher.
3:9 Assim faça Deus a Abner, e outro tanto, se, como o SENHOR jurou a Davi, assim eu não lhe fizer,
3:10 Transferindo o reino da casa de Saul, e confirmando o trono de Davi sobre Israel, e sobre Judá, desde Dã até Berseba.
3:11 E nenhuma palavra podia ele responder a Abner, porque o temia.
3:12 Então enviou Abner da sua parte mensageiros a Davi, dizendo: De quem é a terra? E disse mais: Comigo faze o teu acordo, e eis que a minha mão será contigo, para tornar a ti todo o Israel.
3:13 E disse Davi: Bem, eu farei contigo acordo, porém uma coisa te peço: não verás a minha face, se primeiro não me trouxeres a Mical, filha de Saul, quando vieres ver a minha face.
3:14 Também enviou Davi mensageiros a Is-Bosete, filho de Saul, dizendo: Dá-me minha mulher Mical, que eu desposei por cem prepúcios de filisteus.
3:15 E enviou Is-Bosete, e tirou-a de seu marido, a Paltiel, filho de Laís.
3:16 E ia com ela seu marido, caminhando, e chorando atrás dela, até Baurim. Então lhe disse Abner: Vai-te, agora volta. E ele voltou.
3:17 E falou Abner com os anciãos de Israel, dizendo: Já há muito tempo que procuráveis que Davi reinasse sobre vós.
3:18 Fazei-o, pois, agora, porque o SENHOR falou a Davi, dizendo: Pela mão de Davi meu servo livrarei o meu povo das mãos dos filisteus e das mãos de todos os seus inimigos.
3:19 E falou também Abner aos de Benjamim; e foi também Abner dizer aos de Davi, em Hebrom, tudo o que era bom aos olhos de Israel e aos olhos de toda a casa de Benjamim.
3:20 E foi Abner a Davi, em Hebrom, e vinte homens com ele; e Davi fez um banquete a Abner e aos homens que com ele estavam.
3:21 Então disse Abner a Davi: Eu me levantarei, e irei, e ajuntarei ao rei meu senhor todo o Israel, para fazer acordo contigo; e tu reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma. Assim despediu Davi a Abner, e ele foi em paz.
3:22 E eis que os servos de Davi e Joabe vieram de uma batalha, e traziam consigo grande despojo; e já Abner não estava com Davi em Hebrom, porque o tinha despedido, e se tinha ido em paz.
3:23 Chegando, pois, Joabe, e todo o exército que vinha com ele, deram aviso a Joabe, dizendo: Abner, filho de Ner, veio ao rei, e o despediu, e foi em paz.
3:24 Então Joabe foi ao rei, e disse: Que fizeste? Eis que Abner veio ter contigo; por que pois o despediste, de maneira que se fosse assim livremente?
3:25 Bem conheces a Abner, filho de Ner, que te veio enganar, e saber a tua saída e a tua entrada, e entender tudo quanto fazes.
3:26 E Joabe, retirando-se de Davi, enviou mensageiros atrás de Abner, e o fizeram voltar desde o poço de Sirá, sem que Davi o soubesse.
3:27 Voltando, pois, Abner a Hebrom, Joabe o levou à parte, à entrada da porta, para lhe falar em segredo; e feriu-o ali pela quinta costela, e morreu, por causa do sangue de Asael seu irmão.
3:28 O que Davi depois ouvindo, disse: Inocente sou eu, e o meu reino, para com o SENHOR, para sempre, do sangue de Abner, filho de Ner.
3:29 Caia sobre a cabeça de Joabe e sobre toda a casa de seu pai, e nunca na casa de Joabe falte quem tenha fluxo, ou quem seja leproso, ou quem se atenha a bordão, ou quem caia à espada, ou quem necessite de pão.
3:30 Joabe, pois, e Abisai, seu irmão, mataram a Abner, por ter morto a Asael, seu irmão, na peleja em Gibeão.
3:31 Disse, pois, Davi a Joabe, e a todo o povo que com ele estava: Rasgai as vossas vestes; e cingi-vos de sacos e ide pranteando diante de Abner. E o rei Davi ia seguindo o féretro.
3:32 E, sepultando a Abner em Hebrom, o rei levantou a sua voz, e chorou junto da sepultura de Abner; e chorou todo o povo.
3:33 E o rei, pranteando Abner, disse: Havia de morrer Abner como morre o vilão?
3:34 As tuas mãos não estavam atadas, nem os teus pés carregados de grilhões, mas caíste como os que caem diante dos filhos da maldade! Então todo o povo chorou muito mais por ele.
3:35 Depois todo o povo veio fazer com que Davi comesse pão, sendo ainda dia; porém Davi jurou, dizendo: Assim Deus me faça, e outro tanto, se, antes que o sol se ponha, eu provar pão ou alguma coisa.
3:36 O que todo o povo entendendo, pareceu bem aos seus olhos; assim como tudo quanto o rei fez pareceu bem aos olhos de todo o povo.
3:37 E todo o povo e todo o Israel entenderam naquele mesmo dia que não procedera do rei que matasse a Abner, filho de Ner.
3:38 Então disse o rei aos seus servos: Não sabeis que hoje caiu em Israel um príncipe e um grande?
3:39 Que eu hoje estou fraco, ainda que ungido rei; estes homens, filhos de Zeruia, são mais duros do que eu; o SENHOR pagará ao malfeitor, conforme a sua maldade.
4:1 OUVINDO, pois, o filho de Saul, que Abner morrera em Hebrom, as mãos se lhe afrouxaram; e todo o Israel pasmou.
4:2 E tinha o filho de Saul dois homens capitães de tropas; e era o nome de um Baaná, e o nome do outro Recabe, filhos de Rimom, o beerotita, dos filhos de Benjamim, porque também Beerote se reputava de Benjamim.
4:3 E tinham fugido os beerotitas para Gitaim, e ali têm peregrinado até ao dia de hoje.
4:4 E Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés; era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jônatas vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo; e o seu nome era Mefibosete.
4:5 E foram os filhos de Rimom, o beerotita, Recabe e Baaná, e entraram em casa de Is-Bosete no maior calor do dia, estando ele deitado a dormir, ao meio dia.
4:6 E ali entraram até ao meio da casa, como que vindo buscar trigo, e o feriram na quinta costela; e Recabe e Baaná, seu irmão, escaparam.
4:7 Porque entraram na sua casa, estando ele na cama deitado, no seu quarto, e o feriram, e o mataram, e lhe cortaram a cabeça; e, tomando a sua cabeça, andaram toda a noite caminhando pela planície.
4:8 E trouxeram a cabeça de Is-Bosete a Davi, a Hebrom, e disseram ao rei: Eis aqui a cabeça de Is-Bosete, filho de Saul, teu inimigo, que procurava a tua morte; assim o SENHOR vingou hoje ao rei meu senhor, de Saul e da sua descendência.
4:9 Porém Davi, respondendo a Recabe e a Baaná, seu irmão, filhos de Rimom, o beerotita, disse-lhes: Vive o SENHOR, que remiu a minha alma de toda a angústia,
4:10 Se aquele que me trouxe novas, dizendo: Eis que Saul é morto, parecendo-lhe, porém, aos olhos que era como quem trazia boas novas, eu logo lancei mão dele, e o matei em Ziclague, cuidando ele que eu por isso lhe desse recompensa.
4:11 Quanto mais a ímpios homens, que mataram um homem justo em sua casa, sobre a sua cama; agora, pois, não requereria eu o seu sangue de vossas mãos, e não vos exterminaria da terra?
4:12 E deu Davi ordem aos seus moços que os matassem; e cortaram-lhes os pés e as mãos, e os penduraram sobre o tanque de Hebrom; tomaram, porém, a cabeça de Is-Bosete, e a sepultaram na sepultura de Abner, em Hebrom.
5:1 ENTÃO todas as tribos de Israel vieram a Davi, em Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, somos teus ossos e tua carne.
5:2 E também outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel, e tu serás príncipe sobre Israel.
5:3 Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, em Hebrom; e o rei Davi fez com eles acordo em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram a Davi rei sobre Israel.
5:4 Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou.
5:5 Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses, e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.
5:6 E partiu o rei com os seus homens a Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra; e falaram a Davi, dizendo: Não entrarás aqui, pois os cegos e os coxos te repelirão, querendo dizer: Não entrará Davi aqui.
5:7 Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a cidade de Davi.
5:8 Porque Davi disse naquele dia: Qualquer que ferir aos jebuseus, suba ao canal e fira aos coxos e aos cegos, a quem a alma de Davi odeia. Por isso se diz: Nem cego nem coxo entrará nesta casa.
5:9 Assim habitou Davi na fortaleza, e a chamou a cidade de Davi; e Davi foi edificando em redor, desde Milo para dentro.
5:10 E Davi ia, cada vez mais, aumentando e crescendo, porque o SENHOR Deus dos Exércitos era com ele.
5:11 E Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros que edificaram a Davi uma casa.
5:12 E entendeu Davi que o SENHOR o confirmara rei sobre Israel, e que exaltara o seu reino por amor do seu povo.
5:13 E tomou Davi mais concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que viera de Hebrom; e nasceram a Davi mais filhos e filhas.
5:14 E estes são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, e Sobabe, e Natã, e Salomão,
5:15 E Ibar, e Elisua, e Nefegue, e Jafia,
5:16 E Elisama, e Eliada, e Elifelete.
5:17 Ouvindo, pois, os filisteus que haviam ungido a Davi rei sobre Israel, todos os filisteus subiram em busca de Davi; o que ouvindo Davi, desceu à fortaleza.
5:18 E os filisteus vieram, e se estenderam pelo vale de Refaim.
5:19 E Davi consultou ao SENHOR, dizendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás nas minhas mãos? E disse o SENHOR a Davi: Sobe, porque certamente entregarei os filisteus nas tuas mãos.
5:20 Então foi Davi a Baal-Perazim; e feriu-os ali Davi, e disse: Rompeu o SENHOR a meus inimigos diante de mim, como quem rompe águas. Por isso chamou o nome daquele lugar Baal-Perazim.
5:21 E deixaram ali os seus ídolos; e Davi e os seus homens os tomaram.
5:22 E os filisteus tornaram a subir, e se estenderam pelo vale de Refaim.
5:23 E Davi consultou ao SENHOR, o qual disse: Não subirás; mas rodeia por detrás deles, e virás a eles por defronte das amoreiras.
5:24 E há de ser que, ouvindo tu um estrondo de marcha pelas copas das amoreiras, então te apressarás; porque o SENHOR saiu então diante de ti, a ferir o arraial dos filisteus.
5:25 E fez Davi assim como o SENHOR lhe tinha ordenado; e feriu os filisteus desde Gibeá, até chegar a Gezer.
6:1 E TORNOU Davi a ajuntar todos os escolhidos de Israel, em número de trinta mil.
6:2 E levantou-se Davi, e partiu, com todo o povo que tinha consigo, para Baalim de Judá, para levarem dali para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o nome, o nome do SENHOR dos Exércitos, que se assenta entre os querubins.
6:3 E puseram a arca de Deus em um carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe, que está em Gibeá; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo.
6:4 E levando-o da casa de Abinadabe, que está em Gibeá, com a arca de Deus, Aiô ia adiante da arca.
6:5 E Davi, e toda a casa de Israel, festejavam perante o SENHOR, com toda a sorte de instrumentos de pau de faia, como também com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos.
6:6 E, chegando à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus, e pegou nela; porque os bois a deixavam pender.
6:7 Então a ira do SENHOR se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta imprudência; e morreu ali junto à arca de Deus.
6:8 E Davi se contristou, porque o SENHOR abrira rotura em Uzá; e chamou àquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje.
6:9 E temeu Davi ao SENHOR naquele dia; e disse: Como virá a mim a arca do SENHOR?
6:10 E não quis Davi retirar para junto de si a arca do SENHOR, à cidade de Davi; mas Davi a fez levar à casa de Obede-Edom, o giteu.
6:11 E ficou a arca do SENHOR em casa de Obede-Edom, o giteu, três meses; e abençoou o SENHOR a Obede-Edom, e a toda a sua casa.
6:12 Então avisaram a Davi, dizendo: Abençoou o SENHOR a casa de Obede-Edom, e tudo quanto tem, por causa da arca de Deus; foi pois Davi, e trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obede-Edom, à cidade de Davi, com alegria.
6:13 E sucedeu que, quando os que levavam a arca do SENHOR tinham dado seis passos, sacrificava bois e carneiros cevados.
6:14 E Davi saltava com todas as suas forças diante do SENHOR; e estava Davi cingido de um éfode de linho.
6:15 Assim subindo, levavam Davi e todo o Israel a arca do SENHOR, com júbilo, e ao som das trombetas.
6:16 E sucedeu que, entrando a arca do SENHOR na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do SENHOR, o desprezou no seu coração.
6:17 E introduzindo a arca do SENHOR, a puseram no seu lugar, na tenda que Davi lhe armara; e ofereceu Davi holocaustos e ofertas pacíficas perante o SENHOR.
6:18 E acabando Davi de oferecer os holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em nome do SENHOR dos Exércitos.
6:19 E repartiu a todo o povo, e a toda a multidão de Israel, desde os homens até às mulheres, a cada um, um bolo de pão, e um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então retirou-se todo o povo, cada um para sua casa,
6:20 E, voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, a filha de Saul, saiu a encontrar-se com Davi, e disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer dos vadios.
6:21 Disse, porém, Davi a Mical: Perante o SENHOR, que me escolheu preferindo-me a teu pai, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse soberano sobre o povo do SENHOR, sobre Israel, perante o SENHOR tenho me alegrado.
6:22 E ainda mais do que isto me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos; mas das servas, de quem falaste, delas serei honrado.
6:23 E Mical, a filha de Saul, não teve filhos, até o dia da sua morte.
7:1 E SUCEDEU que, estando o rei Davi em sua casa, e tendo o SENHOR lhe dado descanso de todos os seus inimigos em redor,
7:2 Disse o rei ao profeta Natã: Eis que eu moro em casa de cedro, e a arca de Deus mora dentro de cortinas.
7:3 E disse Natã ao rei: Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o SENHOR é contigo.
7:4 Porém sucedeu naquela mesma noite, que a palavra do SENHOR veio a Natã, dizendo:
7:5 Vai, e dize a meu servo Davi: Assim diz o SENHOR: Edificar-me-ás tu uma casa para minha habitação?
7:6 Porque em casa nenhuma habitei desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egito até ao dia de hoje; mas andei em tenda e em tabernáculo.
7:7 E em todo o lugar em que andei com todos os filhos de Israel, falei porventura alguma palavra a alguma das tribos de Israel, a quem mandei apascentar o meu povo de Israel, dizendo: Por que não me edificais uma casa de cedro?
7:8 Agora, pois, assim dirás ao meu servo Davi: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses o soberano sobre o meu povo, sobre Israel.
7:9 E fui contigo, por onde quer que foste, e destruí a teus inimigos diante de ti; e fiz grande o teu nome, como o nome dos grandes que há na terra.
7:10 E prepararei lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei, para que habite no seu lugar, e não mais seja removido, e nunca mais os filhos da perversidade o aflijam, como dantes,
7:11 E desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel; a ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que te fará casa.
7:12 Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.
7:13 Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.
7:14 Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.
7:15 Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.
7:16 Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.
7:17 Conforme a todas estas palavras, e conforme a toda esta visão, assim falou Natã a Davi.
7:18 Então entrou o rei Davi, e ficou perante o SENHOR, e disse: Quem sou eu, Senhor DEUS, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?
7:19 E ainda foi isto pouco aos teus olhos, Senhor DEUS, senão que também falaste da casa de teu servo para tempos distantes; é este o procedimento dos homens, ó Senhor DEUS?
7:20 E que mais te pode dizer ainda Davi? Pois tu conheces bem a teu servo, ó Senhor DEUS.
7:21 Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza; fazendo-a saber a teu servo.
7:22 Portanto, grandioso és, ó SENHOR Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos.
7:23 E quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem Deus foi resgatar para seu povo, para fazer-te nome, e para fazer-vos estas grandes e terríveis coisas à tua terra, diante do teu povo, que tu resgataste do Egito, desterrando as nações e a seus deuses?
7:24 E confirmaste a teu povo Israel por teu povo para sempre, e tu, SENHOR, te fizeste o seu Deus.
7:25 Agora, pois, ó SENHOR Deus, esta palavra que falaste acerca de teu servo e acerca da sua casa, confirma-a para sempre, e faze como tens falado.
7:26 E engrandeça-se o teu nome para sempre, para que se diga: O SENHOR dos Exércitos é Deus sobre Israel; e a casa de teu servo será confirmada diante de ti.
7:27 Pois tu, SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, revelaste aos ouvidos de teu servo, dizendo: Edificar-te-ei uma casa. Portanto o teu servo se animou para fazer-te esta oração.
7:28 Agora, pois, Senhor DEUS, tu és o mesmo Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens falado a teu servo este bem.
7:29 Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor DEUS, o disseste; e com a tua bênção será para sempre bendita a casa de teu servo.
8:1 E SUCEDEU depois disto que Davi feriu os filisteus, e os sujeitou; e Davi tomou a Metegue-Ama das mãos dos filisteus.
8:2 Também derrotou os moabitas, e os mediu com cordel, fazendo-os deitar por terra; e os mediu com dois cordéis para os matar, e com um cordel inteiro para os deixar com vida. Ficaram assim os moabitas por servos de Davi, pagando-lhe tributos.
8:3 Feriu também Davi a Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, quando ele ia recuperar o seu domínio sobre o rio Eufrates.
8:4 E tomou-lhe Davi mil carros e setecentos cavaleiros e vinte mil homens de pé; e Davi jarretou a todos os cavalos dos carros, e reservou deles cem carros.
8:5 E vieram os sírios de Damasco a socorrer a Hadadezer, rei de Zobá; porém Davi feriu dos sírios vinte e dois mil homens.
8:6 E Davi pôs guarnições na Síria de Damasco, e os sírios ficaram por servos de Davi, pagando-lhe tributos; e o SENHOR guardou a Davi por onde quer que ia.
8:7 E Davi tomou os escudos de ouro que havia com os servos de Hadadezer, e os trouxe a Jerusalém.
8:8 Tomou mais o rei Davi uma quantidade muito grande de bronze de Betá e de Berotai, cidades de Hadadezer.
8:9 Então ouvindo Toí, rei de Hamate, que Davi ferira a todo o exército de Hadadezer,
8:10 Mandou Toí, seu filho Jorão, ao rei Davi, para lhe perguntar como estava, e para lhe dar os parabéns por haver pelejado contra Hadadezer, e por o haver ferido (porque Hadadezer de contínuo fazia guerra a Toí); e na sua mão trazia vasos de prata, e vasos de ouro, e vasos de bronze,
8:11 Os quais também o rei Davi consagrou ao SENHOR, juntamente com a prata e ouro que já havia consagrado de todas as nações que sujeitara.
8:12 Da Síria, e de Moabe, e dos filhos de Amom, e dos filisteus, e de Amaleque, e dos despojos de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.
8:13 Também Davi ganhou nome, voltando ele de ferir os sírios no vale do Sal, a saber, a dezoito mil.
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Versão "João Ferreira de Almeida Atualizada"